Cosméticos orgânicos para os cabelos: suas dúvidas desfeitas em um papo esclarecedor

shampoo orgânico

Carla Ferraz é sócia da Caule Distribuidora, empresa especializa em cosméticos orgânicos. Para ela, muito mais do que um negócio inspirado em novos padrões de comportamento do consumidor, esta é uma questão de filosofia de vida. “Nossa missão é ampliar a esfera do consumo consciente e trazer informação às pessoas”, explica.

Batemos um papo com a Carla sobre os cosméticos que usamos diariamente nos nossos cabelos. Super bem informada e com um amplo conhecimento na área, ela nos fala, na entrevista abaixo, sobre como tomar a decisão certa na hora de comprar estes produtos.

Esta entrevista valeu muito a pena. Confira:

Mercado dos Orgânicos: Qual a diferença entre os shampoos e condicionadores orgânicos e os convencionais?

Carla Ferraz: Quem opta pelos produtos orgânicos, geralmente busca a saúde dos fios. A principal preocupação é deixá-los limpos, naturais, macios, sem oleosidade. Já quem tem cabelo crespo e que quer alisá-lo e mudar a cor, por exemplo, provavelmente opte por produtos convencionais, porque é com eles que é possível chegar a esse nível de transformação.

A diferença básica entre os dois resultados é que uma pessoa usa o cabelo natural, sem tratamentos invasivos e procura limpar e tratar o seu cabelo, a segunda procura modificar o seu cabelo para algo que ele nunca será naturalmente. Na primeira situação, o shampoo orgânico será muito melhor do que na segunda.

O fato é que precisamos repensar nossas necessidades. Elas são nossas mesmo ou são impostas pelo “padrão cultural social”, do cabelo liso, por exemplo? Há pouco tempo, tive conhecimento de uma necropsia feita em uma senhora que usava Henê (bem diferente de henna) e entre o crânio e o cérebro dela havia uma placa de chumbo, proveniente do produto que ela usou a vida toda, e, com certeza, nunca soube que estava acumulando chumbo no corpo por causa disso. Os piores motivos para não usar shampoos e condicionadores convencionais são assim, invisíveis a um olhar mais distraído e superficial.
MO: É real que os shampoos e condicionadores convencionais viciam o cabelo?

Carla Ferraz: Quando fiz minha mudança de convencionais para orgânicos, meu cabelo era oleoso e pesado. Usava L´oreal, Phytoervas… os melhores que encontrava no mercado. No entanto, eu me via obrigada a intercalar entre marcas e tipos pois meu cabelo oscilava entre pesado e seco. Saía sempre do banho com o nariz e os olhos ardendo e vermelhos, mas nunca ia imaginar que fosse do shampoo. Quando resolvi trocar, não tinha exatamente pesquisado e me informado a respeito. Por causa da alergia, troquei, simplesmente. Meu cabelo inicialmente ficou duro, seco demais e achei que tinha algo errado.

Então, fui pesquisar e me dei conta de algo óbvio: o cabelo é tão parte do nosso corpo como qualquer outro órgão. Quando uma pessoa fuma, está ingerindo um produto puramente químico, que a faz sentir um efeito de prazer. Quando para de fumar, ela sente falta, sofre com a abstinência. Descobri que era exatamente isso o que estava acontecendo com o meu cabelo.

Existe um período de abstinência em que o cabelo realmente fica duro. Este tempo varia de pessoa para pessoa. Neste momento o que importa é a consciência e o conhecimento de saber que esta fase vai passar e foi o que aconteceu. Insisti no shampoo orgânico e depois da tal abstinência de químicos, meu cabelo ficou como na adolescência: liso, mas com volume, ligeiramente ondulado e normal. No dia em que me dei conta disso, pensei: olá cabelo, que bom ver você de novo depois de tantos anos.

O que aconteceu neste processo é que o shampoo e condicionador convencionais “limpam”, mas depositam também o óleo mineral que fica no cabelo e nunca sai, porque a cada lavagem você o reaplica. Então, o cabelo está sempre com uma “capa” de óleo mineral. Por isso a necessidade de variar shampoos, para não viciar o cabelo.

Pode-se dizer que os shampoos orgânicos, além de serem hipoalergênicos e desintoxicantes capilares, repassam ao cabelo as propriedades fitoterápicas dos ingredientes naturais, promovendo uma limpeza profunda e um maior equilíbrio para a forma natural do cabelo. Além disso, a emoliência do condicionador sem depósito de substâncias químicas permite um controle do volume alternando com máscaras naturais industrializadas ou mesmo de frutas esmagadas misturadas com óleos essenciais orgânicos, garantindo a saúde dos fios e da pessoa.

MO: Há produtos orgânicos eficazes contra a queda de cabelo?

Carla Ferraz: A queda de cabelo é marcada por genes que reproduzem diversas situações que propiciam a queda capilar, entre elas a mais recorrente é o excesso de oleosidade. Não se consegue impedir este processo, mas é possível retardar a queda capilar com produtos que combatem este problema. O shampoo Lippia Alba, da Herbia, por exemplo, tem vários óleos em sua composição e possuem uma função adstringente. Já tivemos relatos de pessoas que usavam shampoos manipulados, que deveriam ter este efeito e não tiveram resultados tão bons.

Além disso, é possível fazer a aplicação de argila verde no couro cabeludo, que é anti-inflamatória e antioleosidade. O uso do sabonete verde da Bioart para lavar o couro cabeludo também é uma boa opção. Em sua composição, mais de 60% é de argila verde. Além disso, ele tem melaleuca, que é antimicrobiana, também atuando fortemente no controle da oleosidade.

MO: Como estar seguro de que um shampoo orgânico, por exemplo, é mais seguro e eficaz do que o convencional?

Carla Ferraz: A melhor forma de estar seguro quanto à eficácia de um produto é estar consciente do que se procura nele. Para ter certeza da performance do produto no seu cabelo, somente fazendo o teste de uso, não tem jeito. O indicado é testar mais de um e depois escolher o de melhor desempenho. Este produto não precisará ser trocado pois o shampoo orgânico não vicia o cabelo, como faz o convencional.

Quanto à segurança, o melhor caminho é aprender a ler os rótulos. Muitos produtos afirmam nos rótulos que não tem sal, ou parabenos, mas, na realidade, eles são tóxicos e/ou cancerígenos em níveis diferentes. Devemos evitar todos os derivados de petróleo: óleo mineral, parabenos, lauril (ou laurete sulfato de sódio), silicones, vaselinas, parafinas, fragrâncias sintéticas, triclosan, teflon, entre outros. Vale aqui lembrar que muitos destes ingredientes são proibidos em outros países, fazendo muitas marcas importadas “desencalharem” produtos no Brasil, onde muito pouca coisa é proibida ou controlada.

MO: Esses produtos orgânicos têm contraindicação?

Carla Ferraz: A única contraindicação que este tipo de produto tem é se a pessoa é alérgica a algum ingrediente natural. Por exemplo, a Surya tem uma linha orgânica, cujo aroma é feito de manga e coco. Eu sou alérgica à manga e não consegui usar a linha de tão natural que é. Além disso, para grávidas não se aconselha muito o uso de diferentes óleos essenciais, mas, sinceramente, não há comparação com a utilização de produtos com derivados de petróleo, que levam 26 segundos para chegar à corrente sanguínea.

MO: Como ter certeza de que o produto é orgânico?

Carla Ferraz: Há várias formas para isso. Tradicionalmente, os certificados reconhecidos nacional ou internacionalmente (como o Ecocert, o IBD e o USDA) garantem que os produtos tenham o percentual mínimo de ingredientes orgânicos. Isto garante a majoritariedade de ingredientes orgânicos na composição do produto que, no caso dos cosméticos é de, no mínimo, 60%.

Outro movimento que vem se acentuando é a certificação popular. Muitas marcas têm bem mais que o mínimo de percentual de orgânicos exigidos, mas não têm ainda como pagar as altas taxas de burocracia de certificações. Então, estas marcas expõem os ingredientes (o que é obrigatório pela ANVISA) para pessoas reconhecidamente preocupadas com o meio ambiente, para que elas avaliem e produzam resenhas atestando aquele produto.

Muitos certificados já estão sendo até repensados e reavaliados, pois tiveram problemas de credibilidade e, com isto, o certificado popular tem crescido em importância.

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